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sábado, 23 de janeiro de 2010

OLHOS E OUVIDOS

Os textos estão borbulhando dentro de mim e, como eu aprendi esta semana, tenho feito listas das tantas coisas que eu quero escrever. Um caderno tesouro, recheado das minhas aspirações de escritora.


A chuvosa noite de sexta-feira não me permite fazer muita coisa. Preguiça. Eu canto, escuto a música, escuto a mesma música de novo, mudo de música, escuto a chuva, canto mais um pouco e resolvo que por hoje vai ser isto mesmo: música para vocês!


Na segunda-feira conheci uma canção do Tom Zé, publicada em 1973 no álbum "Todos os Olhos" chamada "Augusta, Angélica e Consolação". Desde a primeira vez que assisti o vídeo eu abro um sorriso largo e fico pensando em São Paulo, em 1973, na Tropicália, nos consultórios médicos da Angélica hoje frequentados por mim e na habilidade genial que ele tem de misturar palavras e musicá-las! 


Há muito tempo eu sei que, musicalmente, nasci na geração errada. Canto e curto mesmo assim, fora do tempo.


Foi uma semana cheia de presentes e quero dividir alguns deles com vocês. Curtam a sua própria imaginação enquanto ele canta!






Augusta, Angélica e Consolação
Tom Zé


Augusta, graças a deus,
Graças a deus,
Entre você e a angélica
Eu encontrei a consolação
Que veio olhar por mim
E me deu a mão.
Augusta, que saudade,
Você era vaidosa,
Que saudade,
E gastava o meu dinheiro,
Que saudade,
Com roupas importadas
E outras bobagens.
Angélica, que maldade,
Você sempre me deu bolo,
Que maldade,
E até andava com a roupa,
Que maldade,
Cheirando a consultório médico,
Angélica.
Augusta, graças a deus,
Entre você e a angélica
Eu encontrei a consolação
Que veio olhar por mim
E me deu a mão.
Quando eu vi
Que o largo dos aflitos
Não era bastante largo
Pra caber minha aflição,
Eu fui morar na estação da luz,
Porque estava tudo escuro
Dentro do meu coração.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

APRENDIZADOS


No primeiro texto deste blog eu disse que "quando eu gosto genuinamente de alguma coisa, eu me interesso, não canso de aprender sobre aquilo e quero estar sempre atualizada no assunto." Pois é! Eu me apaixonei por esta diversão de escrever sobre São Paulo e me inscrevi em um curso do Museu da Língua Portuguesa sobre "blogagem". Se é para fazer, quero fazer bem feito!

Como no próximo dia 25 é aniversário de São Paulo o tema do curso é justamente a cidade e, além de praticar técnicas de escrita, tenho conhecido pontos de vista tão ricos e diferentes sobre os mais variados cantos, vistos através dos mais diferentes olhares! Que sorte a minha!

No primeiro texto deveríamos escrever sobre o bairro em que vivemos e eu já tinha feito isto aqui no blog.  Com isso, as minhas percepções e o conteúdo das minhas histórias vocês já conhecem, mas agora o formato é uma "narração tentando ser crônica", conforme eu mesma defini. Copio abaixo o texto de hoje e vocês também podem acompanhar no blog temporário que criei somente para o curso: http://triciaaprendendo.blogspot.com.


MOEMA


Ando por todas as ruas do bairro, converso com todos os porteiros dos prédios e encontro, enfim, um apartamento que caiba no meu bolso e onde cabem todas as minhas expectativas de vida nova.


Oito horas de sono por noite fazem parte da minha receita de bem viver e poder ser vizinha do prédio onde trabalho é o fator determinante na minha decisão.  As ruas arborizadas e a proximidade com o parque eu descobri muito mais tarde.


Para contrastar com o aviões que passam a cada dois minutos sobre mim, prefiro andar e conhecer os personagens do caminho. A japonesa da lavanderia, o palmeirense da padaria, o argentino do restaurante italiano e o pernambucano do salão de beleza fazem parte do meu cotidiano paulistano, que mistura todas as origens e enriquece meu dia-a-dia.


Os passarinhos batizam as ruas e visitam a minha floreira todas as manhãs. Confesso que não sei diferenciar o sabiá da cotovia, o bem-te-vi do pintassilgo, mas sei que eles estão aqui tornando o meu dia mais musical e alegre. 


A noite é segura e iluminada. Os cachorros passeiam com seus donos e os sensores de presença acendem as luzes dos prédios quando eu passo.  No interior do Rio Grande do Sul, onde eu nasci, depois que escurece ninguém sai a pé. Na maior cidade do país eu volto andando da pizzaria.


Meu projeto de vida inclui uma família grande e uma mesa de jantar com todos ao redor. Por enquanto, um apartamento em Moema onde caiba esta mesa ainda não cabe no meu bolso, mas eu sigo trabalhando para poder continuar perto do parque, que agora eu sei como é lindo!


Façam seus comentários!


Trícia

domingo, 17 de janeiro de 2010

PROMESSA CUMPRIDA!

Após um intervalo ausente do blog e de São Paulo, voltei para casa e para a cidade onde eu me sinto em casa e percebi que estava na hora de reativar este espaço antes que os meus ilustres trinta leitores desistam de acompanhá-lo.


Como prometi no último post, iniciei 2010 fugindo do óbvio programa de verão – se é que tem como ser óbvio num lugar com tantas tribos – e visitei a cidade de Embu, mais conhecida como Embu das Artes, uma grande feira a céu aberto pertinho daqui. Eu já conhecia, mas desta vez fui num domingo e percebi que este é o dia mais movimentado por lá.

Há muita vida naquele lugar: gente, arte, cores, sons,... Visitantes locais, turistas falando alemão, artistas de muitas artes- origamis, papel machê, móveis artesanais -, cantores de MPB, de rock e até de musica dinamarquesa, maior surpresa do dia! Cada loja é uma descoberta diferente, uma surpresa com o bonito ou com o bizarro, algum artista interessante que te explica a arte dele, ou ainda algum vendedor tão pouco preparado que faz “maníacas por serviço” como eu acharem divertido que ainda existam estas pessoas no mundo!



Embu não é exatamente um lugar incomum. É muito parecido com Tiradentes, em Minas (muitas subidas!), com o Brique da Redenção em Porto Alegre, com a feira de San Telmo em Buenos Aires, com a Benedito Calixto em São Paulo, com o Mercado de Pulgas de Paris, com as galerias de Praga e provavelmente com outros muitos lugares que eu não conheço! Por isso mesmo, é um lugar que te faz lembrar de muitos momentos especiais e, se você não conhece nenhum dos outros, faz você viver um pouquinho disto tudo tão perto de São Paulo!

Depois de percorrer dúzias de lojas, subir e descer ruas, descobrir as alamedas e suas surpresas artísticas e praticar todas as suas habilidades de pechinchar (na maioria dos lugares funciona!), a melhor opção é sentar em um dos tantos bares da cidade, escolher um petisco, pedir uma caipirinha (ou uma cerveja para os que preferem!) e curtir a boa seleção musical dos jovens músicos locais que encantam!

Desejo que 2010 seja cheio de promessas cumpridas (por nós e pelos ilustres senhores que tentarão conquistar nossos votos!), de descobertas incríveis, de vida (bem vivida!), de arte, cores e sons vibrantes, como Embu e como este primeiro post do ano!

domingo, 15 de novembro de 2009

NÃO TEM NADA PARA FAZER AQUI


Quantas vezes você ficou pensando horas sobre onde ir e acabou indo ao lugar de sempre? Quantas vezes você ficou em casa por que não tinha nada prá fazer?

Quando eu era adolescente e morava em Taquara tínhamos dia e lugar certos para sair à noite. Na sexta era um e no sábado era outro. Ponto. A falta de opções era até divertida porque todo mundo que você queria encontrar estava lá no mesmo lugar que você. Talvez por isso eu me fascine tanto com São Paulo e com o diverso cardápio que tenho à minha disposição. Toda vez que eu compro a Vejinha eu faço um “ok” ao lado dos lugares que já conheço e grifo com caneta marca texto os lugares que quero conhecer. Nem sempre vou, aliás, raramente faço planos depois deste diagnóstico, mas o exercício é divertido. E naqueles momentos que sou designada pelos meus amigos a escolher o lugar aonde vamos eu nunca me lembro de recorrer aos meus diagnósticos. Aí acabamos sempre no Brás, no Gardênia, no Vaca Veia, na Galeteria, no Portucho e no Secreto.

Semana passada eu tive um compromisso na Freguesia do Ó no sábado de manhã. Eu não ia lá havia uns três anos e já não sabia calcular quanto tempo eu levaria. Saí com antecedência considerando as obras na Marginal que poderiam me atrasar. Cheguei uma hora e meia antes do horário marcado. Resolvi pendurar a minha máquina fotográfica no ombro e sair a procurar lugares fotografáveis. Encontrei a praça matriz da Freguesia do Ó, uma igreja e alguns barzinhos com mesinhas na calçada. Fiquei ao mesmo tempo encantada em descobrir aquele cenário dentro da maior cidade do país e profundamente decepcionada com o estado de conservação da igreja. Há poucos meses visitei o maior número de igrejas da minha vida entre ortodoxas russas e católicas francesas e nenhuma me causou tanto incômodo como ver as figuras de São Paulo e São Pedro pichadas por alguém que se autodenomina “Zico”. Mas a deficiência da organização turística da cidade merece outro texto e vou me manter focada na experiência positiva da Freguesia.

Em vinte minutos eu tinha fotografado tudo que eu queria e resolvi sentar para tomar um café e olhar o movimento. A senhora que passou comentou que “com este vento o tempo vai virar”, o garçom veio saber o que me trazia à Freguesia como se dissesse na minha testa e na minha máquina fotográfica que eu definitivamente não era dali. Me senti no interior do interior. Eu escrevi no facebook e no twitter que eu estava lá e rapidamente um amigo me ligou para que eu não esquecesse de conhecer o Frangó, o bar mais famoso do bairro. Descobri que estava ao lado do Frangó, mas naquele horário só estávamos eu e um senhor de chapéu panamá que escutava uma “milonga paraguaia” que tocava no seu carro estacionado em frente ao bar. Fiquei fazendo planos de convidar meus amigos para ir lá noutro sábado à tarde, assim como eu já fiz para fotografar o centro da cidade, para comer frutas que não conhecemos no Mercado Municipal e para jantar e jogar no Velhão na Serra da Cantareira. Eu nunca realizei nenhum destes planos.

O texto de hoje é o meu compromisso de transformar meus diagnósticos da Vejinha em novas explorações da cidade, promover os passeios que idealizei e incentivar meus amigos a fazer o mesmo. Pode ser que um dia eu não more mais aqui e, quando este dia chegar eu não quero ir embora com a sensação de que faltou muita coisa prá viver! Quero ter vivido São Paulo plenamente, do jeito que eu planejei!

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